CANCELE JÁ

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Estamos fazendo mulherzinhas e machões?

?ESTAMOS FAZENDO MULHERZINHAS E MACHÕES??

Toda última segunda feira do mês na lapa, maior estação de ônibus de salvador, ocorre uma vigília que busca chamar atenção para a violência contra as mulheres. Acontece que na vigília deste mês de novembro ocorreu a intervenção do coletivo mulheres na rua ? um coletivo feminista!

- Feminista!?

- Sim, feminista!

Para alguns elas morreram ou desistiram entre a década de 1970 e 80, para outrxs elas caíram na repetição, chatice e descrédito que toda esquerda parece ter caído, e ainda, para outrxs, elas são problemáticas que vivem a reclamar de coisas inexistentes, que só existem na cabeça delas; mas para elas é diferente. Para elas o feminismo não é coisa do passado, não é chato e muito menos caiu em descrédito, o feminismo é uma forma de existir e pensar o mundo sem a opressão de um gênero sobre o outro, portanto, haverá feminismo enquanto os homens odiarem as mulheres.

Numa intervenção, intitulada “brinquedos e a construção do gênero”, que se encaixaria facilmente no dia das crianças, o coletivo ocupou parte do vão central da lapa expondo uma maquete que problematizava a questão da construção social dos gêneros (homem-mulher), que facilita a subordinação das mulheres aos homens, através da exposição de uma micro cena social, composta por brinquedos. Os brinquedos chamaram bastante atenção dxs transeuntes pois, de maneira geral, é algo eu fez e faz parte da vida delxs em algum momento, seja quando foram crianças e tiveram brinquedos, quando adultxs e presentearam crianças com brinquedos, etc. Esse é um dos motivos que pode explicar a intensa movimentação que ocorreu, e, por sua vez, a intensa movimentação demonstra o interesse dos que passavam pela problematização da ordem patriarcal. O que parecia ser óbvio e natural ? brincadeiras onde meninas assumem o lado de personagens ?boas? e meninos de ?maus? ? foi posto em crise e em lugar deste esquema opressor foi aberta a possibilidade de se pensar outro mundo, outra forma de se educar as crianças, outras formas de brincadeiras, longe do opressor esquema habitado por ?machões e menininhas?.

Pra dar suporte à intervenção o coletivo distribuiu o seguinte panfleto:

O coletivo promete promover mais ações nas ruas de salvador. Vamos aguardar e na medida do possível cobrirei estas ações.

Links do coletivo:

Blog – http://mulheresnarua.wordpress.com/
Flickr – http://www.flickr.com/photos/mulheresnarua 4576793

MST ocupa fazenda grilada pela Cutrale

A grande imprensa no último dia 05 de outubro alardeou a “invasão” de terra provocada por integrantes do MST. Em voos razantes a PM captou imagens de um trator cortanto pés de laranja. Como é de costume, a mídia apresenta os fatos sem uma necessária contextualização do problema com o intuito claro de colocar a opinião pública contra os movimentos sociais. Esses movimentos lutam pelo real desenvolvimento social do país frente ao grande crescimento econômico que aquece a conta corrente daqueles que estão no topo da escala social.

A região mostrada na imprensa, Aras, Agudos, Borebi, no centro-oeste do Estado de São Paulo, onde hoje a empresa Cutrale tem imensas plantações de laranja, tem sua história abafada pelos interesses dos grandes latifundiários brasileiros. Vamos a ela então.

No início do século XX o Governo Federal destinou naquela região mais de 50 mil hectares para a colonização italiana. No entanto, isso não foi possível pois os fazendeiros do café entendiam que essas terras para colonização italiana diminuiriam a oferta de trabalho barato nas plantações de café, e como é de costume, impediram que essas terras fossem destinadas para o fim proposto.

Com o passar do tempo esses 50 mil hectares foram sendo grilados por grandes empresas, principalmente madeireiras. Um pouco mais recente é a entrada da Cutrale nessa região através de terras griladas. Hoje a Cutrale mantém ali uma plantação de cerca de 4 mil hectares apenas de laranja. Só a título de exemplo, com esse número mais de 130 famílias poderiam estar assentadas e plantando alimentos necessários para a alimentação da população, já que não só de laranja vive o homem.

Essas terras da região centro-oeste são uma reinvidicação de mais de 15 anos do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra para que ela seja destinada a reforma agrária e contribua para a melhora do quadro social do país. Segundo o INCRA, orgão governamental que regula a reforma agrária, a invasão da Cutrale é ilegal e as terras deveriam ser devolvidas ao governo federal.

Mais de 350 famílias ocupam essa região como forma de pressão para que as terras do governo sejam destinadas à reforma agrária. Parece inconcebível que uma mega empresa, através de meios obscuros como é a grilagem, explore a terra apenas para lucro próprio sem ter pago nenhum centavo, enquanto milhares de famílias continuam na luta por um pedaço de terra agricultável.

Na região de Borebi alguns pés de laranja, entre os 4 mil hectares plantados, foram derrubados para que arroz, feijão, milho, batata pudessem ser plantados. Não nos esqueçamos nunca que a reforma agrária é imprescindível para a construção de um país realmente justo, democrático e menos desigual.

Enquanto o Brasil continuar com uma ditribuição fundiária quase feudal, os números midiáticos continuarão nos falando lindas mentiras e a realidade, duras verdades.

Lembrando de João Cabral de Melo Neto, pergunto: qual será a parte que cabe ao povo neste latifúndio chamado Brasil?

Postado por Blog do Caco
http://www.cacoffunesp.blogspot.com/

MÍDIA EM XEQUE

Bem vindos ao “Mídia em Xeque” , em breve voce poderá conferir aqui

edições criticas e observações reflexivas acerca desta mídia estúpida que

temos em nosso país.